• Novs sedes e visturas reforçam segurança no Sudoeste

Notícias

23/09/2015 16:00

Perfil: Empreendedorismo e inovação: Senhores do meu tempo

Por Marcia do Amparo


No tempo verbal da vida do nosso personagem, a conjugação do verbo inovar chegou ao presente do indicativo. Efervescente, criativo, a lâmpada da inovação parece estar sempre acesa na cabeça de Fernando Sandes, 25 anos, estudante de Ciência da Computação na Universidade Federal da Bahia.

 

A jornada de Fernando começou desde o seu nascimento no dia 31 de outubro de 1990, em Salvador. Parece que o garoto havia sido predestinado a criar invencionices. Filho único, os pais e padrinhos, atuantes da área de tecnologia e inovação, foram os primeiros a apoiarem o lado empreendedor do soteropolitano.

 

Cursando a graduação em Ciência da computação, na UFBA, com previsão de formatura em 2016, o jovem baiano foi selecionado pelo programa do Governo Federal Ciência Sem Fronteiras, permanecendo por um ano e três meses na Inglaterra. Durante a estadia na Monarquia parlamentarista inglesa, cursou uma matéria de web, onde o professor percebeu o seu interesse e conseguiu um estágio na área. “Trabalhei em uma startup, senti como funciona o sistema de startup lá, descobri ferramentas novas para e-commerce”, conta.

 

Recentemente, ficou entre os 50 selecionados do projeto Social Good Brasil Lab - um laboratório pioneiro no Brasil no uso de tecnologia para impacto social. Durante quatro meses, inovadores de todo o Brasil participam de encontros presenciais e trocas de aprendizados por meio de um ambiente virtual. Mas, Fernando não parou por aí.

 

“Sempre tive essa coisa do empreendedorismo, fazer parte do grupo de tomada de decisões. Desde a quarta série sou líder de sala, participei de grêmio estudantil, comissão de formatura, líder de gincana, diretor da empresa Júnior de Informática (InfoJr) da UFBA, onde organizei Semana da Computação (Semcomp)”, lista.

 

Fernando descreve a importância da escola para sua formação como pessoa. Ele acredita não ter chegado ao nível extremo da hiperatividade. Concentra sua atenção na tomada de decisões e pensar em longo prazo no futuro. O tempo presente dele é feito de uma palavra: engajamento.

 

Das 6h30 até 23h, Fernando lida com as tarefas que ele considera parte de uma “rotina gostosa”. Pela manhã, vai até a uma agência de publicidade, onde realiza estágio para implantação do setor de tecnologia, pela tarde e noite corre para faculdade para assistir as aulas e trabalhar com sua plataforma ‘Onde Fui Roubado’ e outros projetos.

 

Liderar, comandar, influenciar pessoas. Os verbos no modo imperativo acompanharam o empreendedor por toda sua vida. Por isso, ele é bastante incisivo em declarar: “Não sou apaixonado pela técnica, mas pelos resultados que aquilo pode gerar. Criar produtos, criar coisas para as pessoas usarem. A computação sempre foi para mim mais um meio do que um fim. Minha finalidade é criar coisas e uso muito a computação para isso”.

 

No caminho das pedras da inovação, Fernando passou pela empresa baiana JusBrasil, considerado maior site de informação pública e jurídica do mundo. Hoje, o graduando deposita sua energia no desenvolvimento da plataforma ‘Onde Fui Roubado’. O start veio durante o estágio na InfoJr da Ufba, entre um algoritmo e sistema binário. O ambiente inovador do lugar favoreceu que a ideia tomasse corpo de uma plataforma colaborativa, na tentativa de ajudar a solucionar a questão da segurança pública. 


 Foto Divulgação


Com a ajuda de dois amigos, hoje os sócios Márcio Vicente e Fillipe Norton, o ‘Onde Fui Roubado’ começou a tomar corpo. “Fillipe teve o estalo de criar uma plataforma colaborativa na área de segurança pública pela questão da violência ser um tema cotidiano na vida do brasileiro e pela questão de plataformas colaborativas como o Waze e Wikipédia estarem dando certo”. Depois que voltou da Inglaterra, Fernando conta que integrou a equipe para pensar no propósito do projeto, novas funcionalidades e tratar dos negócios. “Os outros sócios são mais responsáveis pela parte da programação”.

 

E a ideia foi comprada pela sociedade, onde cidadãos de mais de 900 cidades já fizeram denúncias sobre assaltos e outros tipos de violência. Além de mostrar um panorama geral, mancha criminal das cidades, mapa de calor, porcentagens, a plataforma oferece mais uma novidade. Um radar, onde os usuários podem marcar lugares que desejam monitorar em relação à violência. O serviço é gratuito.

 

Para manter essa estrutura operante, Fernando conta com a ajuda de doações, colaboradores e avalia a ideia de fechar parcerias com órgãos de segurança pública. “Hoje estamos desenvolvendo novas funcionalidades (como os radares) e tentando aproximação com órgãos públicos. Já tivemos contato com a Polícia daqui, de Minas Gerais, de Santa Catarina e com o Instituto de Segurança Pública do RJ (com quem temos uma proposta de parceria em andamento)”, adianta.

 

Otimista em relação ao ecossistema de inovação e políticas para fomento da tecnologia no Estado, ele ressalta que “a Bahia está crescendo, apesar ainda de haver certa desorganização, pois ainda ficamos um pouco atrás de outros lugares daqui do Nordeste. Mas, temos grandes conquistas: Parque Tecnológico e o Instituto Fraunhofer”.

 

Em tempos de múltiplas informações, preocupa-se com o excesso de informações disseminadas pela internet. Considera que as discussões têm que ser como estar online, do que estar online ou não, para que as pessoas façam um bom uso desse meio.

 

Quando sai de cena o inovador, aparece o ‘viajante’. A definição, segundo ele, para viajar se compara a uma paixão gigantesca. Aproveitou a estadia na Inglaterra e fez mochilão por 20 países, mesmo com o orçamento apertado. O encantamento no olhar parece relembrar o convívio com outras culturas, personalidades e formas de viver de pessoas de diversas nacionalidades.

 

E quando o assunto é música, cita “I Still Haven't Found What I'm Looking For” (Eu ainda não encontrei o que estou procurando), da banda U2, como trilha sonora da sua vida. Teatro e cinema também fazem parte do roteiro cultural de Fernando. Esse parece ser um dos poucos momentos em que ele desconecta, deixando desplugar a tomada que gera sua eletricidade contínua.

 

Mas, para ficar off-line, ele busca refúgio na leitura. Torcedor do Esporte Clube Vitória, confessa que não tem acompanhado os jogos do leão. No campo religioso, Fernando só não se considera ateu, pois diz acreditar em “alguma coisa que ainda não consegue explicar”.

 

Dos planos que têm para o futuro, a lista segue crescente dia após dia. Lista alguns: continuar a trabalhar com tecnologia; tocar os projetos criando melhores soluções inovadoras; internacionalizar a plataforma do ‘Onde Fui Roubado’; e trabalhar com empreendedorismo social, como uma forma de aliar o financeiro e a inclusão social. Ufa! A expressão onomatopeica parece ser o combustível para desafios mais inovadores.

Arquivo anexado:

Recomendar esta notícia via e-mail:

Campos com (*) são obrigatórios.